A Babel do design
Publicado por Morandini em 15 Abr 2010 | sob: Blog do Morandini
O design é um campo efervescente.
Essa efervescência, porém, nem sempre é sinônimo de um ambiente propício ao diálogo aberto e ao crescimento saudável dos profissionais que nele atuam. Falta uma linha clara de ação. Uma diretriz focada nos assuntos fundamentais e amplos e não centrada nas picuinhas diárias e desnecessárias que consomem tempo e energia. E o mais importante: falta abertura! Cabeças permeáveis para aceitar posturas diversas.
Em qualquer canto das redes sociais, proliferam críticas gratuitas, ódios desnecessários e defesas ferozes de coisas sem muita importância. Defende-se o Illustrator e massacra-se o Corel, colocando quem utiliza este segundo programa numa condição ‘inferior’. Exalta-se o Mac em detrimento do PC, fazendo com que os usuários desta segunda plataforma pareçam sofrer de uma doença altamente contagiosa. Critica-se quem sabe desenhar (ou quem não sabe…), quem diz que design pode ser arte, quem acha que o design pode ter uma abordagem autoral, quem prega que o design pode ser emocional… Critica-se quem exerce o direito legítimo de pensar (e agir) diferente!
Sem perceber, esses designers ‘fundamentalistas’ acabam por ser os grandes prejudicados. E mais: contaminam todo o mercado com esse ranço e esse azedume profissional. Ambientes arejados são amplamente favoráveis ao desenvolvimento e à troca. São eles que fortalecem uma categoria profissional, fazendo essa categoria evoluir pela diversidade.
Não temos história suficiente para averiguar o motivo de sermos tão arrogantes e prepotentes. Talvez seja fruto da nossa própria insegurança, mas muitos de nós flanam por aí como divindades, donos da verdade e detentores absolutos do saber. Penso que somos ainda ‘crianças’ perto de outras profissões que existem há séculos. Ainda estamos construindo nosso alicerce. Tivemos a sorte de nascer (como profissionais) num período privilegiadíssimo. Seria um desperdício de nossa parte desprezar esta oportunidade perdendo tempo com coisas pequenas. Melhor usar o tempo para construir ao invés de ficar corroendo a base.
Design é muito mais do que esse totalitarismo pregado por aí. Os caminhos que temos para desbravar ainda estão virgens. Há espaço de sobra para todas as direções de pensamento e formas de ação. Desde que não prejudiquemos nossos pares, devemos ser livres e dar liberdade para que os outros também o sejam. Devemos, sim, falar uma mesma língua para que possamos nos entender. Dentro dessa língua, entretanto, temos um enorme universo para usar a gramática e as palavras para nos expressar da maneira que quisermos, seja em verso ou em prosa, usando lápis e papel, o teclado do computador, a voz ou o coração.
Texto (C) Morandini - Não pode ser reproduzido sem autorização do autor.
www.morandini.com.br
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 424

Oi Morandini, não sou designer mas entendo que a discussão, quando feita dentro da civilidade, torna-se saudável.
Foi a partir do questionamento sobre a utilidade dos computadores que surgiram as redes e por consequência a internet.
Penso que a briga PC x APPLE quando é direcionada para um sentido criativo faz muito bem para o mercado. Afinal os merolhamentos de hardware e software desses equipamentos devem muito a essa “briga”.
Um aplicativo como o Dreamwaver (que é mais da minha área) não agrega valor à profissão de “coder” em HTML pois ele reduz o trabalho do profissional a uma geração de código automática, e algumas pessoas acreditam mesmo que podem ser profissionais por causa desse tipo de programa, talvez ocorra o mesmo com a área de design.
O mesmo ocore com pessoas que fazem sites inteiros em flash e não se dão conta que a internet não nasceu nem vai crescer binária/fechada, isso é evidente.
Penso que nos fóruns apropriados e no nível apropriado essa discussão é muito saudável…
Olá, Luiz, obrigado pelo comentário.
Concordo que a discussão gera crescimento e desenvolvimento. Na área do design, porém, muitas vezes ela é uma forma velada (ou não) de preconceito contra essa ou aquela escolha. Maus profissionais sempre existirão, independentemente das ferramentas que dominam. O que questiono é o posicionamento reacionário e de ’soberba’ que muitos designers assumem, não aceitando nada que vá além dos seus domínios e crenças, sem dar chance que outros usufruam de algum espaço.
Com nível e espaço, toda discussão é muito saudável.
Um abraço:
Morandini
Curti demais!
Já mandei para os meus contatos… vale a pena ler.
Parabens!
No fim das contas o que vale de verdade, é o cliente; e esse pouco se importa (ou mesmo sabe a diferença) com a produção feita em pc ou mac!Fundamentalismo é ruim em qualquer área da humanidade. Não vejo a hora desse assunto virar passado no nosso meio. Ótimo texto.
Olá, Wesley e Jefferson,
obrigado pelos comentários.
Wesley, obrigado, também, por enviar o link para seus contatos.
Jefferson, no que depender de mim este assunto já é pasado… Há muitos anos tenho trabalhado naquilo que acredito e de uma forma meio heterodoxa. Isso, de vez em quando, gera alguns comentários de ordem ‘pessoal’. Prefiro concentrar minha energia nos projetos e no clientes, que são a razão da minha existência profissional.
Um abraço:
Morandini
Olá, caríssimo amigo!
Belíssimo texto. É um tapa na cara de muito “DEUSigner” por aí.
Abração!