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O design é um campo efervescente.
Essa efervescência, porém, nem sempre é sinônimo de um ambiente propício ao diálogo aberto e ao crescimento saudável dos profissionais que nele atuam. Falta uma linha clara de ação. Uma diretriz focada nos assuntos fundamentais e amplos e não centrada nas picuinhas diárias e desnecessárias que consomem tempo e energia. E o mais importante: falta abertura! Cabeças permeáveis para aceitar posturas diversas.

Em qualquer canto das redes sociais, proliferam críticas gratuitas, ódios desnecessários e defesas ferozes de coisas sem muita importância. Defende-se o Illustrator e massacra-se o Corel, colocando quem utiliza este segundo programa numa condição ‘inferior’. Exalta-se o Mac em detrimento do PC, fazendo com que os usuários desta segunda plataforma pareçam sofrer de uma doença altamente contagiosa. Critica-se quem sabe desenhar (ou quem não sabe…), quem diz que design pode ser arte, quem acha que o design pode ter uma abordagem autoral, quem prega que o design pode ser emocional… Critica-se quem exerce o direito legítimo de pensar (e agir) diferente!

Sem perceber, esses designers ‘fundamentalistas’ acabam por ser os grandes prejudicados. E mais: contaminam todo o mercado com esse ranço e esse azedume profissional. Ambientes arejados são amplamente favoráveis ao desenvolvimento e à troca. São eles que fortalecem uma categoria profissional, fazendo essa categoria evoluir pela diversidade.

Não temos história suficiente para averiguar o motivo de sermos tão arrogantes e prepotentes. Talvez seja fruto da nossa própria insegurança, mas muitos de nós flanam por aí como divindades, donos da verdade e detentores absolutos do saber. Penso que somos ainda ‘crianças’ perto de outras profissões que existem há séculos. Ainda estamos construindo nosso alicerce. Tivemos a sorte de nascer (como profissionais) num período privilegiadíssimo. Seria um desperdício de nossa parte desprezar esta oportunidade perdendo tempo com coisas pequenas. Melhor usar o tempo para construir ao invés de ficar corroendo a base.

Design é muito mais do que esse totalitarismo pregado por aí. Os caminhos que temos para desbravar ainda estão virgens. Há espaço de sobra para todas as direções de pensamento e formas de ação. Desde que não prejudiquemos nossos pares, devemos ser livres e dar liberdade para que os outros também o sejam. Devemos, sim, falar uma mesma língua para que possamos nos entender. Dentro dessa língua, entretanto, temos um enorme universo para usar a gramática e as palavras para nos expressar da maneira que quisermos, seja em verso ou em prosa, usando lápis e papel, o teclado do computador, a voz ou o coração.

Texto (C) Morandini - Não pode ser reproduzido sem autorização do autor.
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