Março 2010

Arquivo Mensal

Entrevista

Publicado por Morandini em 28 Mar 2010 | sob: Blog do Morandini

Entrevista publicada na Revista Contemporânea

RC - Seu processo de criação começa no papel. Você demorou muito a se render as novas tecnologias?
Adoro tecnologia! Gosto de mexer, usar e aprender. Vivi o período de transição entre o manual e o digital. Não tive grandes traumas em fazer isso. A tecnologia abreviou e substituiu processos tornando tudo mais ágil e ampliando muito as possibilidades. Criar no papel significa, para mim, total liberdade. Você pode projetar e fazer anotações quando está viajando, antes de uma reunião, na cama… Você transforma um avião, um banco de praça ou uma sala de espera em estúdio. Basta um bloco de papel e um lápis. Além disso, no papel não existe aquela ideia de ‘desenho acabado’ que o ambiente digital passa. As coisas acontecem de forma mais solta e livre, com a vantagem do software não travar no meio do processo!

RC - Além do site Morandini você mantém um blog. Você se considera um blogueiro?
O blog é uma tentativa de dividir com as pessoas aquilo que eu acho interessante. De vez em quando posto alguma novidade do estúdio também. Normalmente ele é atualizado com certa periodicidade mas não tenho o rigor de um blogueiro de verdade. Aquele espaço funciona mais como uma espécie de sala de estar, onde troco algumas figurinhas com os amigos e frequentadores. Comecei de forma totalmente descompromissada e o blog chegou a meio milhão de acessos recentemente. Para um blog segmentado é uma marca expressiva. Acho que o fato de não ter uma linha muito rígida e abordar as questões com leveza e bom humor faz com que as pessoas se sintam em casa.

RC - “Acho que comecei a rabiscar garatujas antes mesmo de falar.” Que lembranças você tem do momento em que entendeu que era, verdadeiramente, um artista?
Meu pai era um excelente artista amador. Ele morreu há muito tempo, antes de eu iniciar minha carreira, mas aprendi muito com ele. Além disso os materiais de arte sempre foram fartos em casa. Apesar de rabiscar ‘desde sempre’, só virei artista ‘de verdade’ bem mais tarde. Comecei a trabalhar como projetista, o que exige 100% de rigor técnico e zero de arte. Só bem mais tarde, através do meu próprio estúdio e praticando o design de cunho autoral é que pude dar vazão ao meu lado artista.

RC - (Esta não pode faltar) O que são garatujas?
Garatujas são os primeiros rabiscos de uma criança. São traços espontâneos, alegres e absolutamente livres. Acredito que toda pessoa sabe desenhar. Em certo momento da vida ela começa a ter certos pudores e nasce o medo de desenhar ‘errado’. Costumo dizer que eu continuo desenhando como fazia quando era pequeno, apenas de uma maneira um pouco diferente… As garatujas são uma maneira que encontro de preservar a juventude no meu trabalho. É como se não quisesse que meu trabalho envelhecesse.

RC - “…outro dia me perguntaram se além de desenhar eu também trabalhava”. Você afirmaria que quem faz aquilo que ama não trabalha, se diverte?
Sem dúvida! Ninguém pode afirmar que em determinada carreira fará ou não sucesso. Escolher aquilo que se ama, porém, já é garantia de que você não se frustrará por trabalhar naquilo que não gosta. Todo meu trabalho é dirigido ao mundo corporativo. Apesar de toda a responsabilidade envolvida na minha profissão eu sempre me divirto muito realizando meu trabalho.

RC - Você acabou de ser classificado - onde concorreu com gente do mundo todo - em primeiro lugar no concurso de design da medalha para o Youth Olympic Games a ser realizado em agosto de 2010 em Cingapura, está portanto entre os dez concorrentes ao prêmio que será julgado e entregue em agosto de 2010. Você se lembra de alguma rejeição que tenha sofrido anteriormente em concursos? Acredita que para se ter vitórias (como esta) é preciso persistência, coragem e autoconfiança?
O primeiro lugar na primeira fase de votações do concurso do Comitê Olímpico Internacional foi uma surpresa para mim! Fiz minha inscrição no penúltimo dia mas apresentei um projeto absolutamente fiel ao que acredito ser o melhor para o evento. Não tentei fazer algo para agradar jurados ou conquistar votos, por isso a classificação me surpreendeu.
Hoje participo muito pouco de concursos. Entrei na disputa do COI porque desenhar algo para um evento do porte de uma Olimpíada era um sonho antigo meu. Obviamente, quando participava de mais concursos tive várias propostas recusadas. Apresentar projetos coerentes com sua filosofia de trabalho é, para mim, uma forma de diminuir uma eventual frustração. É como se falasse: ‘não ganhei mas dei o meu melhor’.

RC - Você faz parte de um seleto grupo de artistas que expõe na Cow Parede - o maior evento de arte urbana do mundo. Como aconteceu o convite para expor em 2005?
Um dia, ainda em 2004, recebi um e-mail do Ron Fox, diretor da Cowparade Holdings. Ele tinha visto meu trabalho na internet e me indicou para os organizadores da versão brasileira do evento, que seria realizado em 2005. Entrei como artista convidado naquela que foi a primeira edição da exposição realizada na América Latina.

RC - SAMPA sem Parar foi uma idéia sua ou o tema é designado pela organização do evento?
Normalmente a Cowparade é aberta para artistas locais das cidades onde ela acontece. A organização deixa o artista totalmente livre para criar as obras. A SAMPA sem Parar! foi uma representação daquilo que sinto por São Paulo, cidade onde nasci e pela qual sou apaixonado. Como em todo caso de amor, quando você ama você amplia as qualidades e minimiza os defeitos. Sendo assim, procurei enaltecer as coisas boas da cidade através de um desenho positivo, vibrante e alegre. São Paulo não é cinza. Ela é repleta de cores. Questão apenas de treinar os olhos e abrir o coração.

RC - Ela surgiu antes de começar o processo de pintura ou foi pintada e a partir dai o tema foi sendo definido?
Como a vaca de fibra é um objeto tridimensional, a distribuição do desenho na superfície é um pouco mais complicada. Os contornos não são uniformes como numa folha de papel, numa tela ou numa pintura mural. Sendo assim, definir o layout previamente é muito importante e facilita muito o trabalho final. O layout foi baseado em alguns esboços feitos há alguns anos em blocos de rascunho.

RC - Como é o processo? Você escolhe ou é escolhido?
Alguns artistas são convidados pela organização e não passam pelo processo de seleção. Além disso o evento é aberto a qualquer pessoa que queira enviar seu projeto. Essas propostas passam por uma comissão julgadora que seleciona as que se encaixam melhor e vão ao encontro da filosofia da Cowparade.

RC - No seu Blog foi criado um diário da vaquinha “nascendo”, o que nos passa a sensação de amor a sua arte (sua cria). O artista precisa exercitar o desprendimento e o desapego, na prática, o que você aprendeu com isto?
Em qualquer trabalho, há sempre dois momentos para mim. O primeiro é a elaboração e execução do projeto. Essa etapa é extremamente prazerosa. Adoro criar e ver o projeto tomar corpo e virar realidade. O segundo momento é quando esse projeto vai cumprir sua função. Não importa se é um logotipo, uma ilustração ou uma vaquinha de fibra de vidro. Chega uma hora em que é preciso ganhar o mundo. Botar a cara pra fora e conhecer o público. Aí começa meu segundo momento de prazer, que é sentir essa interação, ouvir comentários, críticas e ver a reação das pessoas. No caso da Cowparade esse momento é único. Pessoas de várias idades, culturas, credos e classes sociais olham para a obra de forma escancarada. Esse olhar franco, direto, sem interfaces, é único. Não há julgamentos prévios. O contato é em primeiríssimo grau. Para um artista isso é muito gratificante!

Não saio de casa sem… Óculos de sol e celular.
Três coisas sem as quais eu não vivo… Livros, lapiseira e papel.
Se eu fosse uma cor seria… Só uma? Que injustiça! Laranja.
Antes de dormir eu… Beijo minha mulher.
Se eu não fosse designer NÃO seria… Corretor de imóveis, padre, pastor…
Ser contemporâneo é… Viver com os pés no hoje e com os olhos no amanhã.

Comitê Olímpico Internacional - Diploma

Publicado por Morandini em 23 Mar 2010 | sob: Blog do Morandini

olimpiada medalha - olimpiada medalha

Recebi ontem um belíssimo certificado do IOC - International Olympic Comite por ter meu projeto escolhido como finalista do Medal Design Competition, promovido pela entidade. Minha proposta para o desenho da medalha olímpica foi classificada em primeiro lugar na fase de votação popular, não tendo sido escolhida como vencedora pelo juri.

O certificado é assinado por Jacques Rogge, Presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Além do documento, impresso em acrílico e com um lindo design, recebi um smartphone do patrocinador e um livro de tiragem limitada com a história e documentos de todos o jogos, publicado pelo Museu Olímpico.

Obrigado, Sampa!

Publicado por Morandini em 17 Mar 2010 | sob: Blog do Morandini

Foto: Emerson R. Zampregno
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Depois de dois meses na rua, a Cowparade 2010 chegou ao seu final.
Gostaria de agradecer a cidade de São Paulo pela acolhida.
Minha obra permaneceu na Av. Paulista, símbolo desta cidade, e foi motivo de muitas alegrias. Tenho recebido dezenas de e-mails, fotos e mensagem. A maioria delas elogiando ou agradecendo o sorriso da Sampa sem parar!, que tornou o dia da cidade e das pessoas um pouco mais leve e bem humorado.

Além de mais de 300 blogs do Brasil e exterior, meu trabalho foi publicado nos grandes órgãos de imprensa e diversos sites na internet.
Costumo sempre dizer que o maior objetivo do meu trabalho é levar um pouco de alegria e positivismo às pessoas. Quando percebo que atingi essa meta, é motivo de muita satisfação. A Sampa sem parar! deixou esse sentimento de uma maneira fantástica.

Alguns consideram a Cowparade uma manifestação artística ‘menor’ ou até mesmo uma grande campanha publicitária. Na verdade, isso pouco me importa. O que valeu mesmo foi ter tido o privilégio de poder devolver para São Paulo um pouco dessa inspiração que ela me dá diariamente.

Obrigado a você que prestigiou, visitou, fotografou, enviou mensagens ou apenas desviou o olhar para a ‘Sampa’. Ela foi feita para você!

Se você ainda não conheceu minha vaquinha pessoalmente, ela ficará exposta n Av. Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp / Prédio da Fiesp) até o próximo domingo, dia 21 de março.

Madeira 2010

Publicado por Morandini em 11 Mar 2010 | sob: Blog do Morandini

logo Madeira - logo Madeira

Em sua quarta edição, o congresso sobre a indústria florestal Madeira ainda não tinha uma marca gráfica. Além do logotipo, estou desenvolvendo todas as peças de comunicação visual do evento, que acontecerá em São Paulo.

Logotipo Abrampa

Publicado por Morandini em 04 Mar 2010 | sob: Blog do Morandini

logo ABRAMPA - logo ABRAMPA

A Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente - ABRAMPA me pocurou para o desenvolvimento de uma marca gráfica para um seminário sobre consumo responsável. Usando duas cores, a marca foi utilizada em toda a identidade visual do evento, que foi realizado no Rio de Janeiro.