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O Supremo Tribunal Federal decidiu que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.

Jornalistas são arquitetos da informação. Seu trabalho é de enorme responsabilidade social pois reflete diretamente no comportamento das pessoas e nos rumos dos diversos segmentos da nação. Ao permitir o livre exercício dessa importante profissão, o Governo está dando uma procuração para que qualquer pessoa (eu disse QUALQUER) abra um jornal, assine um editorial ou simplesmente exerça a PROFISSÃO de JORNALISTA. Confundiram liberdade de expressão com anarquia, baderna e irresponsabilidade. Deram um avião para ser pilotado por qualquer condutor de carroça. Ou nem isso…

Mas a classe dos jornalistas tem força e tradição nesse país. A categoria já se mobilizou. NENHUM veículo de comunicação importante admitirá em seus quadros jornalistas sem diploma. Este continuará sendo um critério de seleção, mesmo que não explícito para não ferir as regras. “Jornalista” sem diploma vai assinar horóscopo de jornal de bairro de quinta categoria. Vai escrever notas em jornalzinho mimeografado da periferia. JORNALISTA mesmo, que queira exercer a profissão de maneira séria e digna, só com diploma.
E quem vai fazer seguir as regras? Os próprios profissionais! Aplausos!

Essa pronta resposta da classe dos jornalistas mostra sua força. Espécie de ‘regulamentação não instituída’. Poder paralelo com tanta ou maior força do que o governo.
Quando Lula foi chamado de bêbado pelo jornalista americano Larry Rother, a primeira medida (que fez lembrar os tempos da ditadura) foi tentar expulsar o cara do país. Essa foi uma medida desse mesmo governo que agora diz querer a liberdade de imprensa. Os jornalistas se mobilizaram e o Rother continuou por aqui enquanto desejou.

Questão fundamental: os jornalistas tem a seu favor uma ferramenta importantíssima: mídia. Outras categorias podem até se valer dela para ganhar visibilidade. Os jornalistas, porém, são a própria mídia.

Junto à sociedade, a atuação de um designer não tem um reflexo tão claro. Nós somos mais ‘descartáveis’ e a maioria desconhece a importância do nosso trabalho (estou falando pela ótica da sociedade como um todo, claro!).

De qualquer maneira, vale o exemplo dos jornalistas, que criaram um imediato e eficiente mecanismo a fim de preservar sua integridade profissional. Resposta eficiente aos desmandos desse governo onde um presidente fala o que quer, ouve o que não quer e não está nem aí! Um governo que incentiva a liberdade de expressão desde que ela vá ao encontro de suas expectativas. Um governo que prefere a via mais fácil de ‘resolver’ as coisas. Um governo onde seu representante maior é a caricatura mais bem acabada da irresponsabilidade e da leviandade da tão importante tarefa de COMUNICAR, que de agora em diante foi delegada a qualquer ze-mané que queira sair por aí dando uma de ‘repórter-por-um-dia’.