A (ir)responsabilidade de comunicar
Publicado por Morandini em 18 Jun 2009 | sob: Blog do Morandini

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.
Jornalistas são arquitetos da informação. Seu trabalho é de enorme responsabilidade social pois reflete diretamente no comportamento das pessoas e nos rumos dos diversos segmentos da nação. Ao permitir o livre exercício dessa importante profissão, o Governo está dando uma procuração para que qualquer pessoa (eu disse QUALQUER) abra um jornal, assine um editorial ou simplesmente exerça a PROFISSÃO de JORNALISTA. Confundiram liberdade de expressão com anarquia, baderna e irresponsabilidade. Deram um avião para ser pilotado por qualquer condutor de carroça. Ou nem isso…
Mas a classe dos jornalistas tem força e tradição nesse país. A categoria já se mobilizou. NENHUM veículo de comunicação importante admitirá em seus quadros jornalistas sem diploma. Este continuará sendo um critério de seleção, mesmo que não explícito para não ferir as regras. “Jornalista” sem diploma vai assinar horóscopo de jornal de bairro de quinta categoria. Vai escrever notas em jornalzinho mimeografado da periferia. JORNALISTA mesmo, que queira exercer a profissão de maneira séria e digna, só com diploma.
E quem vai fazer seguir as regras? Os próprios profissionais! Aplausos!
Essa pronta resposta da classe dos jornalistas mostra sua força. Espécie de ‘regulamentação não instituída’. Poder paralelo com tanta ou maior força do que o governo.
Quando Lula foi chamado de bêbado pelo jornalista americano Larry Rother, a primeira medida (que fez lembrar os tempos da ditadura) foi tentar expulsar o cara do país. Essa foi uma medida desse mesmo governo que agora diz querer a liberdade de imprensa. Os jornalistas se mobilizaram e o Rother continuou por aqui enquanto desejou.
Questão fundamental: os jornalistas tem a seu favor uma ferramenta importantíssima: mídia. Outras categorias podem até se valer dela para ganhar visibilidade. Os jornalistas, porém, são a própria mídia.
Junto à sociedade, a atuação de um designer não tem um reflexo tão claro. Nós somos mais ‘descartáveis’ e a maioria desconhece a importância do nosso trabalho (estou falando pela ótica da sociedade como um todo, claro!).
De qualquer maneira, vale o exemplo dos jornalistas, que criaram um imediato e eficiente mecanismo a fim de preservar sua integridade profissional. Resposta eficiente aos desmandos desse governo onde um presidente fala o que quer, ouve o que não quer e não está nem aí! Um governo que incentiva a liberdade de expressão desde que ela vá ao encontro de suas expectativas. Um governo que prefere a via mais fácil de ‘resolver’ as coisas. Um governo onde seu representante maior é a caricatura mais bem acabada da irresponsabilidade e da leviandade da tão importante tarefa de COMUNICAR, que de agora em diante foi delegada a qualquer ze-mané que queira sair por aí dando uma de ‘repórter-por-um-dia’.
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Faço minhas suas palavras e me levanto também em protesto a esta medida irresponsável, leviana, medíocre, injusta e sem nenhuma razão de ser.
Os jornalistas sérios e competentes deste nosso Brasil clamam pela justiça, pela honestidade, pela verdade e fazem com que suas vozes ecoem pelos quatro cantos do país!
Com esta medida vergonhosa, pessoas - principalmente políticos - contrárias à verdade poderão mobilizar um exército de imbecis para defender suas “idéias”, suas mentiras, sua hipocrisia.
Se vivemos em tempos de democracia, tempos em que não há mais censura e onde a imprensa tem total liberdade de expressão, não sei que nome dar a tamanha tacanhice!
Parece que dormimos e acordamos, de repente, na época da repressão.
Temos um presidente que em relação aos assuntos realmente importantes do povo honesto e que trabalha duro, age como aqueles macaquinhos que não veem, não ouvem e não falam… Mas que se mostra “indignado” quando seus próprios interesses são ao menos arranhados.
Por favor, não me reprimam! Estou exercendo meu “direito” de ser jornalista - mesmo não sendo - já que agora qualquer um pode assumir esta profissão para si.
Tenho vergonha, por exemplo, de ver e ouvir coisas vindas de um presidente que “se finge de morto” todas as vezes em que os escândalos de seu governo vem à tona. Tenho vergonha de saber que caminhamos no sentido contrário da cidadania.
Em meu trabalho, prezo pela honestidade, focando sempre na importância de transmitirmos valores morais e éticos às crianças e vejo, desolada, como a cada dia que passa este trabalho se torna mais e mais complicado, por tudo o que temos que assistir - impotentes! - todos os dias nos noticiários.
Lamento, lamento muitíssimo, e me solidarizo com os jornalistas sérios, responsáveis e que são obrigados a engolir um sapo deste tamanho.
Que isto não fique assim! Não fique assim!
Assino embaixo as palavras do Morandini! E digo mais: se eu tivesse um punhado de tomates podres agora, eu saberia exatamente em que direção atirar…
Vera Nunes.
Estranhei de ver “os jornalistas’ defenderem esta posição que precisa uma aprovação de um órgão publico para ser jornalista.
Sendo economista aprendi sempre perguntar “cui bono” e realmente só consigo enxergar interesses económicos. Menos journalistas = salários mais altos.
Deixem o mercado decidir quem pode ou não pode trabalhar com mídia. Ele é muito mais eficiente, e, mais importante não pode ser corrompido por processos políticos.
abs
Pierre
Oi, Morandini!
Concordo com o que você escreveu, mas nada mais me surpreende vindo de um presidente que tem o maior orgulho de ser semi-analfabeto por opção e estratégia. Por que ele iria valorizar qualquer tipo de formação?
Penso que o equívoco se deu porque as coisas foram misturadas num balaio só. Para ser colunista, ou seja, dar a sua opinião em qualquer veículo, creio que realmente o diploma não seja importante e nem necessário.
Mas para lidar com fatos, estruturar a informação e checar as fontes, é preciso de algum tipo de formação sim. Afinal, se alguém está assumindo a responsabilidade sobre um veículo e a matéria não é opinativa, ela é publicada como fato e algum tipo de garantia há que se ter.
De qualquer maneira, achei a solução criativa e brilhante, até porque credibilidade não se compra em prestações mensais numa faculdade de quinta. Dá até pena de ver quanto jornalista iletrado e sem noção com diploma há por aí (como, de resto, em qualquer profissão).
Abraços e parabéns!
Ele não é só um bêbado. É um sujeito que nunca procurou se qualificar e tem como único diploma o de Presidente da República.
Ninguém foi seu colega de curso ou faculdade. Ninguém foi seu assessor em campanha que não fosse o de presidente. Porque sua meta era única e nem tinha estratégia. Aliás, a única grande estratégia para que ele realizasse seu sonho dourado partiu de assessores e publicitários, profissionais da Comunicação, que agora são renegados pelo governo, que traçou o “Projeto Lulinha paz e amor”, que lhe aparou a barba e o fez menos agressivo na mídia.
Ingrato que cospe no prato que comeu.
Primeiramente gostaria de pedir que relevem aqui alguns possiveis erros gramaticais pois meu portugues já está um tanto enferrujado e não tive tempo ainda de atualizar-me junto a nova reforma gramatical.
Ligia, gostei do seu commentário “Penso que o equívoco se deu porque as coisas foram misturadas num balaio só” e por isso fica cada vez mais difícil selecionar leitura de qualidade. Indiferente da efficiência da qualidade dos mecanismos de seleção, acredito que a ausência de mecanismos destroi o processo de aprimoramento e qualidade eliminando referenciais para aqueles que desejam atingir uma meta em qualidade de comunicação.
Acredito também que pagar uma faculdade não é o unico fator gerador de profissionais qualificados contudo devemos pensar em melhorar o processo de aprendizado e certificação de conclusão.
Como leitor gosto de conhecer as referências do autor antes de ler o texto.
Gostei muito dos comentários neste blog e a independência crítica e itelectual
Um grande abraço à todos
Pois é.. Logo logo, vamos ver obras de engenheiros que nao precisam ser engenheiros, cirurgias com médicos que, necessariamente, nao precisam ser médicos.. Então o que dizer aos jovens que estão iniciando a vida profissional? Nao precisa estudar, nao é necessário ter diploma para ser alguem na vida!.Que absurdo! É Brasil !!
Faculdade ensina a teoria, a vida ensina a profissão. Alguem que tem aptidão para escrever pode muito bem aprender lendo o que alguem faz na faculdade em anos. Bobagem de vocês criarem pedestal, se a pessoa tem talento um diploma é o de menos.
O governo fez o mais fácil, nivelou por baixo e deu às empresas o poder de decisão em quem querem dentro. Na verdade criou-se mais uma camada salarial, os jornalistas “auto-didatas”
Eu acho que cada um deveria processar o governo por perdas e danos. Afinal, antes era obrigatorio, gastou-se dinheiro para poder exercer a profissão e agora o governo diz que não precisa mais.
Com todo respeito, Allen, não acho que ter formação universitária seja subir num pedestal. Esse discurso está na moda mas não concordo com ele. Pelo seu raciocínio todos podem ser autodidatas. Se uma pessoa pode aprender sozinha, vc acha melhor dispensar os professores? Num país com a nossa cultura e nosso povo é difícil imaginar talentos eclodindo em cada esquina. Se já é ruim com universidades, imagine sem elas!
Senhores, estão fazendo tempestade em copo d’água. Isso é a mesma coisa que a gravadora lutar contra o mp3 eternamente e não pensar em trabalhar melhor e ter produto melhor. Tem uma dúzia de exemplos como esse!
Por acaso o Caio Blinder é jornalista? Diogo Mainardi? Chico Buarque? Paulo Lima, editor da Revista Trip? Juca Kfuri é formado em Ciências Sociais se não me engano, certo?
Portanto isso já acontece, arquitetos, sociólogos, economistas, etc trabalhando para informar. Quem é bom quer ser melhor e tem emprego. Não é uma questão de fazer o curso e ter diploma, mas sim de ser melhor no que faz.
E claro, que os cursos de jornalismo continuarão cheios e formando pessoas como eu!
Abs
Pensei pensei pensei e resolví colocar minha palavra aqui presente vendo a coisa toda de dentro para fora e espero sinceramente que procurem ler com atenção colocando-se no meu lugar antes de qualquer julgamento precipitado.
Bom vamos lá desde cedo percebí e aprendí que a radicalização do generalizar não leva ninguém a nada nem a lugar algum por isso peço que não me entendam como aprovando a tal lei mas há sim de se considerar que há casos e casos, trabalhei por mais de 20 anos e sempre percebendo toda a rotina de uma redação com pautas, entrevistas, edição com textos, roteiros inserção de fotos e tudo mais, ganhei até algum destaque e até alguns prêmios e homenagens porém nunca fiz mais que dois anos de engenharia e não tenho e nunca tive o MTB mesmo tendo a oportunidade de requere-lo na carteirada como muitos assim o fizeram á uns cinco anos atráz por meio de um artifício legal, agora não quero com minha argumentação dizer que com base no meu bom exercício profissional dentro do jornalismo que aprovo total e irrestritamente esta ação, porém a faculdade não garante que tenhamos um profissional de qualidade há por ai muito médico matando, muito policial bandido e advogado advogando em benefício próprio ou até político que não vale nada ou até presidente que nos dê vergonha só peço um pouco de moderação e cuidado em qualquer analize que se faça, foram muitas as vêzes em que recebí um dica ou uma primeira informação tendenciosa ou não e depois ao apurar a pauta percebia outro fato ou realidade absolutamente diferente sem o pré julgamento conseguí mesmo sem diploma realizar um trabalho diferenciado, sério, honesto e que se destacou pelos resultados atingidos, pelos fatos que apresentei quero pedir apenas que se pondere os fatos como tudo nesta vida com onus e bonus com o risco de cometermos o mesmo erro que eles acredito sem qualquer critério também estão cometendo…
Me desculpem se me extendí demasiadamente mas é com a boa intenção que o faço e sem defender ou atacar esta medida quero apenas colocar que generalizar e colocar todo mundo no mesmo balaio pode trazer um prejuízo ainda maior e que mais tarde pode nos atingir negativamente, o que sei é que mesmo sem qualquer informação os que tem critério, bom senso, ética, carater e uma postura se vira, aprende, desenvolve, aperfeiçoa e até transcende e há muita gente boa e honesta nesse mundo sem diploma fazendo a coisa certa e se me arrependo de lago nesta vida foi de não ter ido até o fim nos meus estudos para que pudesse eu ter mais crédito em minhas humildes palavras de boa vontade, não estou repito defendendo este erro apenas colocando quem sabe um ponto e virgula para um melhor entendimento e facilitando analize, obrigado pela atenção e boa sorte a todos os Brasileiros de bem deste pais, com ou sem diploma…
Morandini, não é preciso temer esta decisão do STF. O bom profissional, diplomado ou não, não deixará o bom jornalismo morrer. O jornalismo não virou baderna. Virou uma atividade livre. Sem obrigações criadas no tempo da ditadura. Convido-o a visitar meu blog (link acima) onde tenho opinião contrária à sua, mas debato o assunto com o mesmo respeito com que você trata essa questão. Abraços, LB
Obrigado a todos!
Penso que o mundo é um delicioso cadinho que mistura opiniões, tendências, credos, gostos e por aí vai… Respeito (e muito) essa diversidade. É ela que torna a vida mais saborosa. Pensar é estar vivo. Só o que está morto não muda. Os comentários acima foram uma maneira de refletir. Acrescentaram muito. Obrigado por concordar ou divergir da minha direção e opinião. É sempre bom encontrar argumentos bem fundamentados.
Um abraço:
Morandini
Aqueles que defendem a ausência de um diploma, sempre usam como exemplos ALGUNS bons profissionais que não têm o diploma.
Eles sempre vêm com a velha ladainha, dizendo que existem maus profissionais que têm diploma.
Oras… Se existem maus profissionais com diploma, é lógico que a QUANTIDADE DE MAUS PROFISSIONAIS SEM DIPLOMA É INFINITAMENTE MAIOR!
Que argumento mais furado.
Olá. Sabe, o buraco é mais embaixo ainda, talvez os grandes veículos não mudem nada, mas a realide do país é de pequenos jornais e rádios locais.
Em Americana, a rádio Vox 90 (uma das maiores do estado de São Paulo) tem hoje apenas 1 jornalista “assinando” tudo, e uns 10 estagiários que fazem o trabalho de jornalista a preço de banana.
Eu até entendo que pelo andar da carruagem, nao apenas jornalistas, mas todas as área da comunicaçao não serão mais regulamentadas, a questão é: Quem se responsabiliza por informações mal dadas ???
Parabéns pelo texto Morandini!
Quando li a notícia no jornal a primeira coisa que me passou na cabeça foi escrever sobre o assunto no meu blog….pensei, pensei mas infelizmente não escrevi.(Ainda bem que outros fizeram.
Outras áreas tbm passam pela mesma situação, como a minha - Marketing. O cara faz qualquer cursinho por aí e se diz consultor de Marketing, sem ao menos saber o que é Marketing.
Passamos por um momento crítico no que diz respeito á ética e ao compromisso com a sociedade.
Grande Abraço!