rolo de pintura - rolo de pintura

Ayrton Morandini* era uma cara muito criativo. Apesar de ter trabalhado a vida toda no comércio (lojas de tintas e pincéis), sempre manteve uma vasta produção artística, tendo pintado diversas telas, criado embalagens, rótulos, logotipos e ilustrações. Como ‘designer’, tinha uma cabeça brilhante, sempre pensando muito à frente do seu tempo.

Foi assim que, por volta dos anos 1960, teve uma idéia: com a ajuda da minha mãe, produziu um protótipo de rolo de pintura. No lugar da lã utilizada nos rolos da época, ele utilizou espuma sintética. O novo material proporcionava melhor acabamento à pintura, deixando-a mais lisa e uniforme.

Munido do protótipo e sem nenhuma patente registrada, lá foi ele visitar uma grande empresa do setor para tentar uma ‘parceria’ (palavra hoje tão em moda, que provavelmente nem era muito usada na época) para fabricação do invento.
Depois de algumas explicações e demonstrações, os responsáveis pela grande empresa não mostraram interesse pela idéia. Disseram que talvez aquele produto não fosse bem aceito pelo mercado, que os pintores estavam acostumados com rolos de lã…

Coincidentemente, depois de mais ou menos dois anos, os rolos de espuma para pintura começaram a invadir o mercado.

*Além de pintor acadêmico (clássico), meu pai era violinista amador, tendo tocado na orquestra da USP durante vários anos. Ele morreu quando eu ainda era adolescente.