Em matéria de comunicação, a igreja católica sempre se valeu de recursos visuais para informar e formar seus seguidores. Pintores reproduziram céus e infernos em larga escala para amedontrar os fiéis, em sua maioria analfabetos. Isso sem falar nas inúmeras imagens de santos, papas e religiosos. Se por um lado a ética dessa abordagem é duvidosa, por outro a Igreja alavancou e promoveu as artes como ninguém havia feito antes.

Nesta semana o artifício voltou à tona no Rio de Janeiro. Para sensibilizar os fiéis contra o aborto, foram confeccionados 600 bonecos em forma de feto para serem distribuídos nas 264 paróquias da cidade e usados nas missas de domingo durante a Quaresma. O combate ao aborto é tema da campanha da fraternidade deste ano da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O lema é “Escolhe, pois, a vida”.
Mais polêmica é a exibição de quatro vídeos com cenas reais de fetos sendo retirados de mulheres. Neles, médicos descrevem como é feito o procedimento.
Em Ipanema, uma trilha sonora dramática acompanha uma das imagens mais chocantes: um feto sendo arrancado pela cabeça. Haja sutileza…

Pelo menos em termos estéticos, no passado a Igreja deixou uma herança bem mais bonita e fácil de digerir.

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