Comercial, eu?
Publicado por Morandini em 29 Fev 2008 | sob: Blog do Morandini
Em 1996, uma jornalista comprou uma obra minha. Bem intencionada e bem relacionada, um dia ela me ligou dizendo que um famoso crítico de arte gostaria de bater um papo comigo sobre meu trabalho.
Data e horário agendados, o tal crítico chegou no meu estúdio. Farejou tintas, olhou algumas telas, empinou o nariz e soltou um ‘muito comercial!’.
Agradeci num misto de satisfação e uma ponta de ironia. A satisfação era porque sempre achei que meu trabalho é, de fato, comercial e tenho até um certo orgulho disso (comercializo meus trabalhos pois não vivo de fotossíntese, como fazem as plantas…). Já a ironia foi em razão do tom de voz dele, uma mescla de desprezo e ar professoral.
Em seguida ele tascou um ‘é preciso fazer alguns redirecionamentos na sua arte’.
Não me contive e perguntei que redirecionamentos seriam esses. Seco, ele respondeu: - Mil dólares!
-Como? Não entendi…
Ele foi mais claro:
- Mil dólares! O valor que cobro para te dar algumas orientações sobre esses direcionamentos.
Ah, agora entendi… Mas, eu não quero fazer ‘redirecionamentos’. Tô feliz assim!
- Bem, se mudar de idéia, entre em contato. Facilito o pagamento (!!!).
E lá fiquei eu durante alguns minutos pensando se o ‘comercial’ naquela história era eu mesmo…
Breve comentário(1): dizem que o tal crítico cobra (caro) para escrever textos de aberturas de exposições e prefácios de livros de arte (sempre elogiosos, claro…).
Breve comentário(2): em 1997 fiz uma grande exposição patrocinada pela Secretaria de Cultura de São Paulo. O crítico assinou o livro de visitas com a frase: ‘Obra a ser amadurecida. Cuidado com o oportunismo’.

Mural ‘Snake’, pintado numa parede do estúdio em setembro de 2007. Mede aproximadamente 8 m2
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Morandini, o Ministério da Saúde adverte: sua arte é para ser consumida ’sem moderação’!!! Parabéns e continue fazendo arte ‘comercial’. Se é assim que se chama é isso que eu amo de paixão! Ainda vou ter uma obra sua de maior tamanho.
Hahahaha
O maior oportunista estava ali, bem diante dos seus olhos.
Concordo com a Eliane, sua obra é para ser consumida sem moderação!!
Um beijo,
Mônica
Morandini, mas esse cara é simplesmente o máximo!!! Adorei o figura! O que você acha de dar para ele de presente um troféu “SEM NOÇÃO”? Mas faz um design assim, digamos, bem comercial, tá? Ahahahaahah… é esse bando de loucos varridos com pinta de gente séria que faz o mundo ficar tão divertido. Obrigada por compartilhar a historinha
Fala sério, quem precisa de um redirecionamento é o proprio sujeito. Seu sucesso em fazer essas divertidas garatujas não precisa nem um pouco de uma carona de um individuo desse tipo.
Abraço
Oi Morandini
Lembro que há alguns anos atrás seu portfólio ou uma entrevista sua saiu na revista Design Gráfico… desde aquela época presto atenção no que vc ta fazendo…
Mas o que eu queria escrever é sobre seu posto Ser designer é… que precisei copiar e colar no meu msn pq achei ducario “Misturar tédio, pressa, superioridade, ironia e sarcasmo na mesma cara”… Claro que citei o autor… rs
Abraços
Em mecardos competitivos as externalidades são muitas vezes inevitáveis e os parasitas….. bem… são os parasitas. Uma das coisas mais belas da arte é a possibilidade de multiplas interpretações e compatilhar com o artista aquele momento único, ainda que não compartilhando da mesma leitura, estabelecem uma relação atravéz do “objeto”. Para os críticos que conhecem bem as tendências do mercado e se comprometem a ajudar outros a caminhar para este padrão, existem algumas empresas ou fábricas pagando muito mais por este serviço.
KnightCoder
Prezado Morandini, mesmo não tendo presenciado a cena, posso sentir um certo ar de inveja deste crítico preconceituoso com relação ao seu trabalho! Talvez (não sou o dono da verdade), uma das coisas mais imprestáveis e comuns em certos territórios da arte seja o PRECONCEITO e o “Ar Professoral” citado por você, com certos “críticos” cheios de coisas a ensinar.
Parabéns pelo trabalho e continue assim. Te admiramos e desejamos muito sucesso!!
Abs,
Flávio e Joana (minha sócia)