Trecho do perfil escrito pela jornalista Adriana Kupffer

Designer, ilustrador ou artista? Brasileiro, Italiano ou cidadão de lugar nenhum?
Morandini é um ser altamente permeável. Absorve tudo aquilo que se encontra por perto, sem se importar se é produto da alta aristocracia ou da sarjeta da periferia. Uma vez absorvido, ele devolve tudo em forma de gargalhadas gráficas e malabarismos visuais. Dá prazer ver, sentir e se deixar envolver. Algumas vezes seu trabalho soa íntimo. Um frio gostoso percorre a espinha. Causa arrepios bons, beirando a sensualidade. Outras vezes a gente se sente em pleno Carnaval. Um ritmo alucinante coloca a gente num estado de pura alegria.
Foi esse misto de sensações que invadiu meu corpo e minha alma logo na primeira vez que vi uma arte dele. Era uma explosão de cores e significados - explícitos e camuflados - na forma de uma tela de pouco mais de um metro quadrado, pendurada numa parede de um escritório. Olhei uma vez. Mais uma. Não me contive (era impossível ficar indiferente). Levantei, olhei de perto e anotei o nome que assinava o trabalho. A internet me mostrou muito mais. Seu site revelava um homem multimídia na tradução mais ‘davinciana’ do termo. Um cara daqueles que bate o escanteio, cabeceia e ainda comemora o gol com estilo. Ele faz de tudo um pouco: logotipos, murais, painéis, ilustrações, design de produtos… Tudo amarrado num estilo inconfundível.

Sua formação é de publicitário e jornalista. Mero acaso. Ele poderia ser engenheiro, médico, malabarista, cantor ou qualquer outra coisa. Nada mudaria seu modo de ver, engolir e vomitar o mundo. Sua arte já deve ter vindo impregnada nas células desde antes de nascer. Seu percurso acadêmico parece ter sido apenas um reforço de uma fundação já tão bem ancorada.

Se alguém um dia disse que o design deve ser sério, Morandini resolveu ser subversivo e fazer o contrário. Armado de cores fortes e um positivismo contagiante, ele decidiu seguir por um caminho próprio. Sem panfletar ou fazer alarde, ele apenas encontrou e decidiu seguir por um outro caminho possível. Uma trilha que ele vem abrindo e desmatando diariamente. Sonhando e fazendo sonhar.