Seria hipocrisia afirmar que nós, designers, trabalhamos com os olhos focados 100% na ética. O mercado pede uma postura mais arrojada, onde os olhos sejam multi-facetados, enxergando as oportunidades de mercado, os novos nichos que se criam a todo instante e os novos consumidores que estão chegando. Claro que continuaremos sempre fazendo nosso melhor, projetando coisas que funcionem, solucionem problemas e que satisfaçam o consumidor.
Para viver, o ser humano não precisaria de nada além de abrigo, água e comida. Se tiver boa companhia, melhor. Em tese, tudo além disso é supérfluo. Mas a vida seria bastante insossa sem os pequenos ‘gadgets’ cotidianos. Eles geram consumo e alimentam a roda econômica.
Antigamente as empresas fabricavam produtos feitos para durar. Isso era sinônimo de qualidade. Hoje elas fabricam produtos para durar ciclos, muitas vezes pré-estabelecidos. Não acho que seja um erro ou uma postura desonesta. É apenas mais uma era vivida pela sociedade: a Quarta Onda, quem sabe…
E como fica a questão ecológica e o descarte consciente dentro desse contexto? Como garantir a saúde do planeta nesse ambiente de consumo desenfreado? Bem, penso que talvez esse assunto seja uma ótima pauta para um número futuro do O Q Design.

(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini)

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