Abril 2006
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Morandini em 28 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Seria hipocrisia afirmar que nós, designers, trabalhamos com os olhos focados 100% na ética. O mercado pede uma postura mais arrojada, onde os olhos sejam multi-facetados, enxergando as oportunidades de mercado, os novos nichos que se criam a todo instante e os novos consumidores que estão chegando. Claro que continuaremos sempre fazendo nosso melhor, projetando coisas que funcionem, solucionem problemas e que satisfaçam o consumidor.
Para viver, o ser humano não precisaria de nada além de abrigo, água e comida. Se tiver boa companhia, melhor. Em tese, tudo além disso é supérfluo. Mas a vida seria bastante insossa sem os pequenos ‘gadgets’ cotidianos. Eles geram consumo e alimentam a roda econômica.
Antigamente as empresas fabricavam produtos feitos para durar. Isso era sinônimo de qualidade. Hoje elas fabricam produtos para durar ciclos, muitas vezes pré-estabelecidos. Não acho que seja um erro ou uma postura desonesta. É apenas mais uma era vivida pela sociedade: a Quarta Onda, quem sabe…
E como fica a questão ecológica e o descarte consciente dentro desse contexto? Como garantir a saúde do planeta nesse ambiente de consumo desenfreado? Bem, penso que talvez esse assunto seja uma ótima pauta para um número futuro do O Q Design.
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini)
Publicado por Morandini em 26 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Sou a favor da regulamentação, mas gostaria de propor uma reflexão.
Imagine que amanhã, nós, designers, acordássemos e tivéssemos a boa notícia de que nossa profissão foi regulamentada. Uau! Que bacana! Agora tudo vai mudar! Vou ser mais reconhecido, bem remunerado, ter meus preços equiparados com os outros profissionais…
Espera lá… Mas, quem vai fiscalizar tudo isso? Quem vai ver se as coisas vão caminhar nos trilhos?
Bem, os médicos têm o CRM, o sindicato, o Ministério da Saúde… Os engenheiros têm o CREA, o sindicato… Os advogados têm a OAB, o…
Caramba! Com tantos órgãos fiscalizadores e reguladores, ainda têm farmacêuticos receitando remédio, ´’médicos’ consultando, ‘rábulas’ advogando, ‘dentistas’ atendendo, mestres de obras projetando e um sem-número de ‘profissionais’ exercendo várias Profissões (com maiúscula mesmo), sem nenhum temor. E não estou falando das pequenas cidades do sertão nordestino ou do interior dos estados brasileiros. Falo também das grandes capitais, celeiro de oportunidades e terreno fértil para o exercício dessas ‘profissões’. Quando a casa cai, o paciente morre de choque anafilático ou de intoxicação por medicamentos aí vêm a fiscalização e faz escândalo, mostrando que ela existe, sim senhor! Pune o infrator como se fosse o único dente podre da engrenagem e a coisa continua acontecendo como sempre.
Como falei, sou favorável à regulamentação. Só que também sou favorável que se criem mecanismos sérios, competentes e atuantes, para que haja fiscalização de verdade. Assim poderei acordar amanhã e dizer: -Uau! Que bacana! Agora tudo vai mudar! E seguir meu dia tendo plena certeza disso…
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini)
Publicado por Morandini em 24 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Liberdade não existe!
Desde sempre estamos presos. Não voamos com meios próprios. Logo, somos limitados em relação aos pássaros. Não nadamos submersos por vários minutos de maneira autônoma. Logo, somos limitados em relação aos peixes. Dependemos de outras pessoas para sobreviver nos primeiros anos de vida. logo, somos limitados perante a maioria dos outros animais. Não dominamos todos os assuntos com a mesma profundidade. Assim, somos limitados perante o próprio homem.
É na busca pela superação - voar de avião, mergulhar com cilindro de oxigênio ou tentando entender as coisas - que chegamos mais próximo da liberdade. A liberdade do pensamento nos leva a acreditar que somos independentes de tudo. Livres e autônomos. É a liberdade do pensamento que torna tudo mais suportável, nos enganando cotidianamente e nos impulsionando para frente. Livres tanto quanto é a nossa crença na liberdade.
Filosófico demais? Também acho… Mas ela, a filosofia, também nos permite o exercício da liberdade. Ou não!
Publicado por Morandini em 22 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Ah, este texto vai soar como clichê dos mais baratos, mas o tema não deixa a gente ir por outro caminho: brasileiro está sempre se reinventando! Parte ínfima disso é por causa da nossa tão propalada criatividade. Mania de dar jeito em tudo. Vocação para dar um pitaco, colocar uma cor e mudar o ângulo. A parte mais importante, infelizmente, fica por conta dos descasos, dos desmandos, do improviso e da falta de ética que reinam por aqui, em terras brasileiras (eu avisei que ia virar clichê…).
Como se navegássemos num enorme barco carcomido e meio à deriva (olha o clichê de novo!) a gente é obrigado a criar condições novas todos os dias para evitar que a maré nos engula. Ora a bússola falha. Ora é o vento que muda de direção. Em outro momento é o capitão que larga o leme e vai cuidar de outros assuntos. E nós, esse povinho enfraquecido que vive desse tal ‘design’, somos obrigados a nos reinventar, reinventar nossa conduta profissional, nossas relações profissionais e até mesmo nossa visão de mercado. Nada por nossa vontade, mas por pura necessidade de sobrevivência.
Nós não temos e nem queremos verbas de gabinete, mensalões ou mesmo salários astronômicos. Somos honestos. Queremos apenas um país igualmente honesto para o exercício pleno da nossa profissão. Queremos apenas criar. Criar para gerar um consumo autêntico que nos permita inventar coisas necessárias. Ajudar a colocar o país na rota do crescimento e, principalmente, não ter de reinventar a roda diariamente só pra sobreviver.
De minha parte, quero apenas fazer a roda girar. Só isso.
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini)
Publicado por Morandini em 20 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
No ano passado fui convidado para produzir uma vaca para o Cow Parade SP, o maior evento de arte pública do mundo, que foi realizado pela primeira vez na América do Sul. Pintei a Muuuwatch, vaquinha fashion e sorridente que foi patrocinada pela Swatch. Em concorrido leilão, a Muuu foi vendida por 23 mil reais, e a renda revertida para a Fundação Abrinq.
O evento, que foi um sucesso total, será realizado agora em Belo Horizonte.
Publicado por Morandini em 18 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Tenho sido mal visto entre meus pares, os ilustradores. Tudo porque tive (e tenho) a coragem de dizer que a ilustração acabou. Claro que não acabou no sentido de dizer que não precisamos mais das imagens. Pelo contrário! As imagens nunca foram tão importantes e necessárias como agora. Marcar território nessa terra de ninguém, que muitos chamam de mundo virtual, é questão de sobrevivência. Quando decretei o fim da ilustração, eu me referi ao seu lado romântico, onde as figuras apenas decoravam as páginas e aí terminava sua missão. Esse conceito ficou obsoleto. Hoje, as mídias se multiplicaram. Com elas, a cabeça do leitor (e consumidor) evoluiu. Além das páginas, há os monitores, visores, telões digitais, projetores, feixes de laser, terminais de consulta e outras tantas inovações que pedem outros tipos de intervenção e outros tipos de imagem. A linguagem mudou de rumo e passou a apontar para lugares tão variados quantas são as possibilidades o mercado exige.
Há falsas necessidades, que são criadas apenas para aumentar vendas. Elas provocam uma obsolescência vazia, forçada e sem escrúpulos. Há outras, porém, que são fruto honesto da evolução. É por causa dessas que fiz minha afirmação. A ilustração acabou. Ela perdeu o prazo de validade e cedeu lugar para a imagem-conceito. Como uma cobra, ela perdeu a casca para se revigorar e ganhar novos matizes.
As ilustrações apenas bonitas e decorativas cumpriram seu papel. Hoje, sem funcionalidade, aplicabilidade, versatilidade e outras tantas qualidades, essas imagens estão fadadas ao fracasso. Isso tudo não marca o fim de um período e o início de uma nova era. É apenas uma correção de rota. Uma adequação e um ajuste de rumo necessários, que de tempos em tempos devemos realizar sem nenhum preconceito ou pudor. Assim caminha a humanidade. Desde sempre.
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini
Publicado por Morandini em 17 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Êta medo absurdo de ousar! Arriscar! Tentar o novo!
No mundo do design e seus computadores maravilhosos, hoje nota-se um nivelamento e uma pasteurização medonhos. Tudo é igual. Ou é ‘clean’ demais ou é ruidoso demais. Tudo parece ser cópia da cópia. As criações orbitam numa faixa mediana, sem explorar os extremos reais e autênticos. Falta ousar. Ousar de verdade, criando linguagens, conceitos e caminhos realmente inéditos.
Migrar para o computador foi uma atitude vanguardista para muitos. Depositou-se na máquina algumas expectativas que ela não podia corresponder. Aí, de um dia para o outro, tudo ficou terrivelmente parecido.
Dia desses fui contratado para ilustrar um material promocional de um grande laboratório. Apresentei alguns layouts numa linguagem bem diferente, acatando o briefing que tinham passado. O diretor de criação da agência responsável e o gerente de marketing do laboratório gostaram muito. Na seqüência, o material foi apresentado ao diretor de produtos da empresa. Ele abriu um sorriso enorme e disse: - Adorei! O problema é que ninguém ainda fez isso antes. Vamos partir para algo mais ‘convencional’!
Assim, pelo medo de ousar, perdemos todos: eu, a agência e o cliente.
Fórmula mágica para se destacar criativamente? Não tenho! Vou seguir apresentando sempre coisas inusitadas e não convencionais. Quem sabe eu não encontre pelo caminho um diretor de produtos que diga: - Adorei! Ninguém ainda fez isso antes. Seremos os primeiros!
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini
Publicado por Morandini em 13 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Não devemos confundir ‘formação’ com ‘formação acadêmica’. Cursei duas faculdades. Os diplomas não me trouxeram segurança, experiência e, principalmente, sensibilidade profissional. Certas coisas só o tempo se encarrega de fazer. Essa ’sensibilidade’ só conquistei com muito tempo de estrada, muitos workshops, inúmeras oficinas, vários cursos, livros e palestras (ah, sim, as ‘cabeçadas’ também fizeram parte do processo!).
Seguindo a linha de raciocínio de que o diploma é garantia de reconhecimento profissional, bastaria passar na frente de uma faculdade de segunda linha (dessas em que você passa na calçada e o pessoal te puxa pra dentro, com um carimbo de ‘aprovado’ na testa), obter o diploma e ser feliz. A coisa não é bem assim. É preciso estudar de verdade, ler muito e investir pesado na busca da informação. Cursos superiores são uma excelente base e uma fantástica possibilidade de troca. O resto fica por conta do real interesse de cada um em tentar aprender sempre, seja no ambiente acadêmico ou no outdoor, no grafite, nas revistas e pelo mundo afora. É preciso apenas ter um bom filtro para selecionar, de vários ambientes, aquilo que pode se adequar às nossas necessidades e à nossa realidade.
Formação acadêmica é coisa para 4 ou 5 anos. FORMAÇÃO de verdade é coisa para a vida toda. Isso vale para designers, advogados, médicos, marceneiros, mecânicos, cada um da sua maneira, mas sem nunca parar de aprender.
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini)
Publicado por Morandini em 12 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Já está circulando pelas ruas de São Paulo a nova van da Pão da Villa. Além dos deliciosos pães fabricados pela empresa, a van leva em toda sua carroceria umas garatujas criadas por mim especialmente para a Pão da Villa.
Publicado por Morandini em 10 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Há uma necessidade imensa de se criar normas, disciplinar, fornecer diretrizes éticas, estabelecer patamares de preços e nortear a conduta dos profissionais do design. O quarto está bagunçado. É necessário que tomemos providências para arrumar a casa. É preciso que criemos condições para que nosso ambiente de trabalho seja mais justo e digno.
Infelizmente, o mercado consumidor dos nossos serviços fica proporcionalmente tão podre quanto as atitudes mesquinhas e de curto prazo tomadas por alguns profissionais. Assim, de nada adianta dizer que o próprio mercado se encarregará de excluir os profissionais de segunda linha quando ele é quem mais faz esse monstro crescer. Sempre haverá clientes dispostos a pagar valores absurdamente baixos para profissionais donos de trabalhos igualmente baixos.
É evidente a urgência de que entidades de classe (a ADG, no nosso caso) coloquem regras muito claras nesse jogo. É mais evidente e urgente, porém, que os profissionais tomem consciência do quão nocivo é atuar sem ética e sem visão holística num mercado que está crescendo sem aparente controle. Se continuarmos deixando o monstro crescer em razão do nosso egoísmo e da nossa mesquinhez, ele se voltará contra nós, destruindo um setor que nem bem acabou nascer.
Façamos das ‘ADGs’ um farol, mas cuidando sempre que nosso barco navegue sabendo de que lado é o Norte.
(Texto publicado na revista O Q Design - Copyright by Morandini
Publicado por Morandini em 09 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Há cerca de dez anos fui convidado para desenvolver a identidade visual do escritório de advogacia Marcos Trigo, de São Paulo. Atualmente em processo de fusão, o escritório está mudando para Trigo, Curro e Associados. Fui novamente chamado pelos advogados Marcos e Alexandre para cuidar de toda a comunicação visual da nova sociedade.
Publicado por Morandini em 07 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Acaba de sair o livro Crianças do Consumo, da escritora Susan Linn, mesma autora do livro Infância Roubada. A capa teve a direção de arte da amiga Mikha, e foi ilustrada por mim, com uma escultura de plastilina (massinha de modelar).
Publicado por Morandini em 06 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Quando o Alberto, simpático sócio da Cotação Gráfica ligou, ele me pediu que criasse um logotipo alegre, divertido, mas que representasse seu ramo de atividades: orçamentos e produção gráfica.
Minha proposta foi a de reunir numa ‘ilustração’ alguns elementos que representassem a solução entregue ‘de bandeja’ ao cliente. Um ‘prato pronto’ que chega sem aborrecimentos ou chateações, bastante típicas no setor gráfico.
A identidade visual prevê o uso da marca a quatro cores e monocromia.
Publicado por Morandini em 05 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
É comum confundirmos ‘contemporâneo’ com ‘moda’. Nem sempre aquilo que está na moda é contemporêneo. Acredito que para se conferir um selo de contemporaneidade a algum produto do design, esse produto deve estar sintonizado com as necessidades reais e estéticas do seu tempo. Não pode ser um caso de styling, onde a aparência pura e simples, aquela que agrada os consumidores afoitos, toma a frente daquilo que é autêntico e legítimo.
Se ‘contemporâneo’ for sinônimo de ‘moda’, esse fruto da pseudo-contemporaneidade irá se perder muito rápido na lembrança coletiva. Se, ao contrário, ele for sinônimo de algo legitimado pela consistência, aí ele virará um clássico representativo de uma era forte, formada pela soma de resultados sólidos e honestos.
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(texto escrito em abril de 2006 para o site O Q Design - Copyright by Morandini)
Publicado por Morandini em 03 Abr 2006 | sob: Blog do Morandini
Design é soma, nunca subtração. O estudo é fundamental. Agregar conhecimento nunca é demais, venha ele de onde vier: seja do matuto da cidadezinha do interior que faz banquinhos toscos de três pés ou do acadêmico doutorado no exterior. Professores não são ‘pontes’ nem ‘facilitadores’. Antes, eles são gente. Alguns com muita experiência profissional e de vida. O tal matuto também é gente. Tão importante para nossa formação quanto o acadêmico, ele é provedor de conhecimento prático, da lida diária e da filosofia aparentemente barata mas igualmente necessária. Óbvio: há acadêmicos e matutos medíocres. Cabe a nós separá-los segundo nossa sensibilidade e critérios próprios.
Diferentemente dos nossos computadores, os ‘HDs’ da humana raça funcionam melhor à medida em que vão ficando mais cheios de informações e referências. Assim, é nosso dever abrir os olhos para tudo e para todos. Abraçamos uma profissão maravilhosa, que nos permite extrair de tudo (tudo mesmo) um pouco de néctar para nosso pleno desenvolvimento.
Não acredito em dom. Aquilo que as pessoas chamam de ‘dom’, prefiro chamar de acúmulo de experiências, sejam elas de vida, sensoriais ou profissionais. O fundamental é erguer as antenas e não ter preconceito de captar o novo e o velho com a mesma paixão. Ouvir Bach com o mesmo interesse que a gente ouve música eletrônica contemporânea. Não fechar os olhos para Basquiat só porque a gente gosta de Rembrandt. Ler Cony, Rui Barbosa ou Kundera com a mesma curiosidade infantil. Estudar psicologia, filosofia, línguas, desenho, economia, administração… Abastecer nosso ‘arquivo’ com o maior número de referências possível. Ter uma visão holística da profissão, não limitando nossa atuação àquela meia dúzia de conceitos pré-estabelecidos que um dia nos ensinaram a ver como certos e absolutos.
Mais do que um computador, nosso cérebro se assemelha a um enorme jardim em constante crescimento. Sua arquitetura é a da evolução e da soma. Soma de cores e formas que geram outras cores e formas num movimento perpétuo de pleno desenvolvimento. Crie sempre ambientes que estimulem a criatividade. Freqüente lugares com o faro aguçado e a curiosidade crítica sempre alerta. Olhe com outros olhos. Fareje oportunidades e ângulos novos para seu repertório estético. Faça com que seu universo trabalhe a seu favor, alimentando você constantemente.
Diplomas e certificados? Acumule o mais que puder, mas não os colecione. Colecione, sim, o conhecimento que esses papéis apenas representam. Isso é para sempre! Dê igual importância aos bancos da universidade e aos bancos da praça. Até dá para ser um profissional completo sem os dois, mas o caminho não tem a mesma beleza e a paisagem perde um pouco do viço.
Design é arte? Não! Design é soma. Soma disso tudo que a gente já falou. É arte, ciência, religião, filosofia, psicologia… É conteúdo! É conhecimento na concepção mais sublime da palavra! Design é algo muito grande para ser enquadrado numa definição. É igualmente grandioso para ser colocado à margem de qualquer atividade (pois ele pode estar inserido nessa atividade!)
Por fim, questione sempre. Faça intervenções imaginárias no trabalho alheio. Modifique e crie conceitos e linguagens. Faça com que a palavra ‘design’ ganhe um novo significado para você e para sua vida. Não deixe que as pessoas tóxicas te contaminem com negativismo acerca da profissão. Como toda atividade, a nossa tem altos e baixos, mas ela é responsável muito mais pelos prazeres do que pelos reveses. Invista nessa nova forma de ver as coisas. O investimento voltará para você multiplicado e revigorado. O mundo nos oferece uma volta completa todos os dias, com direito às cores, às sensações, às novas experiências, vivências e ainda nos permite levar junto as pessoas que quisermos.
(texto escrito em abril de 2005 - Copyright by Morandini)